Amamentar

O sítio do Aleitamento Materno para cidadãos e profissionais de saúde

  

Pouco leite/choro do bebé

Pouco leite

Algumas mães pensam que o seu leite é insuficiente porque:
  •  O bebé chora mais do que o habitual;
  •  Quer sugar mais frequentemente;
  •  Demora muito a mamar;
  •  Adormece a mamar;
  •  O bebé não fica satisfeito após as mamadas;
  •  Mamadas muito longas;
  •  O bebé apresenta fezes duras, secas ou verdes;
  •  O bebé recusa-se a mamar;
  •  O leite não sai quando a mãe faz a expressão;
  •  As mamas não aumentam durante a gravidez;
  •  O leite não “desceu” depois do parto.
Muitas vezes, as mães têm bastante leite, mas falta confiança que o seu leite é suficiente. Habitualmente, mesmo quando a mãe pensa que não tem leite suficiente, o seu filho está ser alimentado de modo ideal. Todas as mulheres possuem um número semelhante de células produtoras de leite, independentemente do tamanho das mamas. 

Quase todas as mães podem produzir leite em quantidade suficiente para um ou dois bebés. Quase todas podem produzir mais do que o seu bebé necessita. Alguns bebés podem não estar a receber a quantidade de leite materno que precisam. Isto pode acontecer porque não estão a mamar a quantidade suficiente ou porque a pega não é correcta. É muito raro a mãe não produzir o leite em quantidade suficiente (OMS/UNICEF, 1995).

Por vezes as mães tentam amamentar a criança em horário bem determinado (rígido), deixam a criança esperar muito tempo para mamar, trocam a mama, quando o bebé não esvaziou totalmente a primeira (a criança não ingere quantidade suficiente da gordura que está no final da mamada e fica insatisfeito).

A queixa de pouco leite pode ocorrer antes do estabelecimento da lactação, nos primeiros dias após o parto. A mãe deve ser ajudada no estabelecimento da lactação e deve ter conhecimentos sobre fisiologia da lactação e sobre a perda fisiológica de peso nos primeiros dias de vida. Neste período só se poderá falar em perda de peso quando o bebé às duas semanas de vida apresenta um peso inferior ao nascimento. Sugira avaliar a evolução do peso 1 vez por semana (de preferência no mesmo dia da semana).

Mas só há apenas dois sinais de certeza de que o bebé não está a receber leite suficiente:
  • O bebé ganha pouco peso (menos de 500 gramas por mês ou peso inferior ao peso ao nascer após 2 semanas de vida);
  • A urina do bebé é muito concentrada e em pequena quantidade (menos de seis micções por dia, amarela e com cheiro intenso).
É muito importante verificar o ganho ponderal do bebé. Deve ser observado o Boletim Individual de Saúde do bebé, se disponível, ou outro registo de pesos anteriores. Se não há registos, deve ser pesado o bebé e agendada uma nova pesagem dentro de uma semana. A mãe deve ser aconselhada a continuar a amamentar.
Verifique o débito urinário do bebé. Esta é uma avaliação útil e rápida. Um bebé que é amamentado exclusivamente e que está a receber o leite suficiente habitualmente urina pelo menos seis a oito vezes nas 24 horas, sendo a urina clara e fluida. Incentive a mãe/pai a vigiarem a frequência com que o bebé urina e as suas características.
O   bebé não necessita de outros alimentos até aos seis meses de idade.

 

Choro do bebé              

Uma razão muito frequente pela qual uma mãe pode pensar que não tem leite suficiente é que ela ou a sua família pensam que o bebé ”chora demais”. Muitas famílias, por causa do choro do bebé, iniciam desnecessariamente, a suplementação (com leite artificial). Geralmente a introdução de suplementos não vai diminuir o choro. Por vezes o bebé até chora mais e podem aumentar as cólicas.
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Um bebé que chora muito pode perturbar o relacionamento entre ele e a mãe e causar tensão entre os elementos da família. Uma forma importante de ajudar uma mãe que amamenta é aconselhá-la sobre o choro do bebé.
 

Razões porque choram habitualmente os bebés:

  • Desconforto (sujo, com frio ou calor);
  • Cansaço (demasiadas visitas);
  • Doença ou dor (padrão de choro alterado);
  • Fome (não recebe leite suficiente, surto de crescimento 2/3 e às 6 semanas e três meses);
  • Alimentação da mãe ( se excesso de ingestão de  lacticínios, pode agravar as cólicas);
  • Drogas que a mãe toma (cafeína, cigarros, outras drogas);
  • Hiperprodução de leite, tendo dificuldade em deglutir grande quantidade de leite;
  • Cólicas;
  • Bebés com “grandes necessidade”.
É importante ajudar os pais de um bebé que chora muito. Procure a causa e capacite a família a dar resposta às necessidades do seu bebé, para que ele repouse calmamente.
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Recusa do bebé em mamar

Por vezes o bebé parece recusar-se a mamar e isto pode levar ao stress da mãe, pois pode sentir-se rejeitada e frustrada com a experiência.

            Há diferentes razões para a recusa, nomeadamente alguns bebés pegam correctamente, mas os reflexos de sucção e deglutição são muito débeis; por vezes o bebé pode debater-se com a mama, roda a cabeça de um lado para o outro, à procura da mama (para tentar pegar) e a mãe pensa que o bebé não quer mamar; às vezes o bebé mama durante uns minutos e depois interrompe brusca e rapidamente; às vezes mama numa mama e recusa a outra.
 
O QUE FAZER? COMO RESOLVER A SITUAÇÃO?
Se reflexo de sucção e deglutição é muito débil

Incentive a mãe e fortaleça a sua auto confiança:

  • Colocando o filho em contacto pele a pele, sempre que possível (método canguru) 

 

  • Amamentando sempre que o bebé tenha fome (em horário livre);
  • Permitindo e favorecendo que o bebé ESVAZIE primeiro uma mama até ao fim (até que ele pare espontaneamente), só depois OFEREÇA a outra mama (e só se o bebé manifestar interesse); na próxima vez que amamentar comece na outra mama;
  • Acordando o bebé e não o deixando muito agasalhado, dado que isso favorece o adormecimento.
 
Se o bebé luta com a mama

Favoreça que a mãe:

  • Amamente num ambiente tranquilo e com poucos ruídos (em especial aos 9 meses de vida da criança ? identifica diversos pólos de interesse)
  • Coloque o seu filho em contacto pele a pele consigo, sempre que possível (método canguru)  
  • AMAMENTE sempre que o bebé demonstre fome (em horário livre);
  • Não interrompa a amamentação PERMITA que o bebé ESVAZIE primeiro uma mama até ao fim (até que ele pare espontaneamente), só depois OFEREÇA a outra mama (e só se o bebé manifestar interesse); na próxima vez que amamentar comece na outra mama;
  • Acorde o bebé e não o deixe muito agasalhado, dado que isso favorece o adormecimento.
 
Se o bebé interrompe bruscamente a mamada
Informe e estimule para que a mãe:
  • Amamente num ambiente tranquilo e com poucos ruídos (em especial aos 9 meses de vida da criança ? identifica diversos pólos de interesse)
  • Coloque o seu filho em contacto pele a pele consigo, sempre que possível (método canguru)
  • AMAMENTE sempre que o bebé demonstre fome (em horário livre);
  • Tranquilamente, motive o seu bebé a pegar novamente na mama. Não interrompa a mamada PERMITA QUE o bebé ESVAZIE primeiro uma mama até ao fim (até que ele pare espontaneamente), só depois OFEREÇA a outra mama (e só se o bebé manifestar interesse); na próxima vez que amamentar comece na outra mama;
  • Compare se essa mama está pouco cheia e/ou flácida em relação à outra.
 
Se o bebé recusa uma mama

Aconselhe a mãe para que:

  • Amamente num ambiente tranquilo e com poucos ruídos (em especial aos 9 meses de vida da criança ? identifica diversos pólos de interesse)
  • Coloque o seu filho em contacto pele a pele consigo, sempre que possível (método canguru)
  • AMAMENTE sempre que o bebé demonstre fome (em horário livre);
  • Coloque o bebé a mamar na posição como se estivesse a amamentá-lo na mama que o bebé prefere.
 
Se necessita/quer aumentar a produção de leite:

Informe a mãe como fazê-lo:

  • Amamentando com mais frequência durante alguns dias;
  • Aumentando o seu consumo de líquidos;
  • Amamentando também de a noite (a libertação da hormona prolactina (responável pela produção do leite) apresenta níveis séricos superiores durante a noite e também é favorecida pelo relaxamento da mulher);
  • Extraindo o seu leite, sempre que não esteja com o bebé.
  • Sempre que for adequado dê reforços positivos, pois aumentam a auto estima da mãe. Ex: Se o seu filho está a aumentar de peso, está certamente a alimentar-se em quantidade suficiente.
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