Amamentar

O sítio do Aleitamento Materno para cidadãos e profissionais de saúde

  

Bebés com situações especiais
O aleitamento materno proporciona uma enorme quantidade de benefícios para os bebés, mais importantes ainda quando se tratam de bebés mais vulneráveis tal como acontece com bebés prematuros, bebés que se encontram doentes ou bebés portadores de características físicas particulares.
 
Nestes casos, vai necessitar de um maior acompanhamento por parte de profissionais ou de outras pessoas com experiência em aleitamento materno.
 
Aqui tentamos contribuir para que seja possível amamentar, quando confrontada com uma destas situações.
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Prematuridade

Quando o bebé nasce de uma gravidez com duração inferior ao previsto diz-se que nasceu ?prematuro?. Concretamente, um bebé é prematuro quando nasce de uma gravidez com duração inferior a 37 semanas. 

Embora o leite de uma mãe com um bebé nascido pré termo seja diferente do leite de bebés nascidos a termo, é sempre o melhor para o bebé. Ajuda na protecção para infecções, na enterocolite necrosante, uma doença grave dos bebés prematuros.
 
Obviamente é diferente nascer com 36 ou com 26 semanas de gestação e as implicações para a alimentação e particularmente para o aleitamento materno são muitos diferentes, em consequência da diferente maturidade do bebé. Assim, a decisão da forma de alimentar o bebé vai depender da idade de gestação, do peso ao nascer e do estado de saúde.

No entanto, é possível amamentar a maior parte dos bebés nascidos antes do tempo. Embora muito variável e dependente da maturidade do bebé, como regra geral bebés com 32-34 semanas de idade de gestação conseguem mamar, pois já conseguem coordenar a sucção e a deglutição.

Em bebés mais imaturos pode não ser possível amamentar e por isso é necessário alimentá-los de forma alternativa: por uma sonda gástrica (os mais pequenos) ou por copo quando já conseguem deglutir (capacidade conseguida antes da cordenacção sucção-deglutição). A utilização de copo, em vez do biberão, para alimentar os bebés permite evitar a chamada ?confusão dos mamilos? que ocorre quando os bebés mamam simultaneamente no peito materno e no biberão,: Desta forma é possível a uma mais rápida e eficaz adaptação do bebé ao peito materno.
 
A transição para a amamentação exclusiva poderá ser demorada e requerer esforço da sua parte. A rapidez com que o bebé atinge as várias etapas é muito variável (vários dias a várias semanas) e poderá existir um período de transição em que as várias formas de alimentação sejam usadas simultaneamente.
 
Embora se vá sentir impotente e desgostosa com a situação do seu filho, poderá ter um papel activo na alimentação do seu filho e, em termos práticos, pode começar logo após o parto. Informe o médico e os enfermeiros da sua vontade de amamentar e peça ajuda para iniciar a extracção de leite o mais cedo possível. Logo que a condição de saúde (médica) do bebé o permita, mesmo pequenas quantidades do seu colostro são muito importantes.
 
Vai necessitar da ajuda dos profissionais para tirar leite, guardá-lo e transportá-lo. Também vai necessitar de muita motivação e perseverança assim como da ajuda da sua família para poder concretizar tão gratificante, mas complicado objectivo.
 
Extraia o leite várias vezes ao dia (mínimo 8), para estimular a produção de leite. De início poderá ter pouco leite mas só terá mais se o fizer e se convencer que é capaz e que é muito importante para o seu filho. Pode fazê-lo manualmente ou com a ajuda de uma bomba.
 
Se extrair leite por um período longo de tempo pode verificar uma diminuição de produção da quantidade do seu leite. Isso é normal e quando o bebé começar a mamar regularmente irá novamente ter leite em quantidade suficiente para o alimentar exclusivamente.
 
As vantagens para o bebé advêm do leite materno mas também do acto de amamentar, pelo que mesmo quando o bebé ainda não consegue mamar, é benéfico que vá ao peito materno já que desta forma tem um maior contacto com a mãe.
 
Para amamentar um bebé prematuro, naturalmente ?mais mole?, pode ser útil recorrer a algumas das posições alternativas como a posição sentada cruzada, a posição de jogador de râguebi ou de dançarino. Estas posições permitem segurar melhor o bebé e controlar a sua cabeça.              
 
Apesar de todo o seu empenho, por vezes a quantidade do seu leite pode ser insuficiente e por isso necessário dar outro leite. Mesmo assim deve continuar a dar o seu leite porque por muito pouco que seja é melhor que nada.
 
Algumas unidades de neonatologia já usam o método canguru, que consiste na colocação do bebé apenas com uma fralda e um barrete, nu, em contacto com a pele da mãe ou do pai, por baixo da roupa. Permite maior estabilidade do bebé, maior alerta, maior interacção com os pais, e facilita o início e a manutenção do aleitamento materno.

Pergunte por esta possibilidade e solicite a sua concretização.

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Gémeos

Se teve ou vai ter gémeos poderá ocorrer-lhe que não vai ser possível ou não vai conseguir amamentar os seus filhos. De facto, poderá ser mais difícil e trabalhoso, mas não existem razões para não dar de mamar. Tal como irá sentir dificuldades a dar colo, dar banho ou mudar fraldas a dois bebés ao mesmo tempo, também irá sentir para amamentar dois bebés. De igual forma, com a experiência irá aprender a resolver os problemas.

As mães de gémeos conseguem produzir a quantidade de leite suficiente para os bebés, o que é conseguido desde que haja estímulo hormonal. Para isso, os bebés devem mamar o mais cedo possível, ou, em alternativa, simular com a expressão de leite, manualmente ou com a ajuda de uma bomba.

Antes do parto procure preparar-se. Leia sobre amamentação de gémeos, peça ajuda a profissionais de saúde e aconselhe-se com mulheres com experiência de gémeos. Prepare-se para a eventualidade de um parto prematuro. Cuide de si comendo bem, fazendo exercício e repouso adequados. Envolva o seu companheiro e outros familiares para a ajudarem antes e após o parto.
 
Poderá acontecer dos seus filhos nascerem algum tempo antes do previsto (prematuros), o que é muito frequente com os gémeos e, seguramente, ainda irá complicar mais as coisas.
 
Mas tal como com todos os outros bebés, o ideal é dar de mamar o mais cedo possível. Se a mãe e os bebés estão bem, sem apresentarem uma situação médica que impeça a amamentação, deverá começar a dar de mamar logo que possa.
 
Se os bebés forem internados numa Unidade de Neonatologia e não conseguirem ou não puderem mamar, deverá começar a extracção de leite. O leite que extrair deve ser guardado e/ou administrado ao(s) bebé(s) de outra forma, como por sonda ou por copo. Peça ajuda aos profissionais de saúde.
 
De início deverá amamentar em horário livre alternando os seios, mas depois poderá dar de mamar simultaneamente, recorrendo a uma das várias formas de posicionamento dos bebés. Experimente-as até encontrar uma melhor para si e para os seus filhos.
 
É importante que esteja confortável. Se estiver sentada numa cadeira pode usar um banco para apoiar os pés e permitir diminuir a tensão nas costas e nos músculos da barriga. Use almofadas para ajudar a posicionar os bebés, o que ajudará no conforto dos bebés e a a libertar as suas mãos. Utilize ambas as mãos para colocar o primeiro bebé ao peito e depois de este estar a mamar bem, coloque o outro. Poderá, então, ficar com ambas as mãos livres para acorrer a qualquer um deles. Tenha por perto uma bebida, e uma campainha ou telefone e, eventualmente, alguma coisa para comer.  
 
Amamentar simultaneamente, um em cada mama, permitirá poupar tempo e dispor de mais tempo entre as mamadas. Trata-se, obviamente, de uma opção individual de cada mãe, mas deverá tomar em consideração que a frequência, eficiência e duração de cada mamada vai depender da forma como recupera do parto, do apoio familiar e, no caso dos filhos, da maturidade, do estado de saúde e da capacidade de mamar.
 
Amamentar gémeos é uma actividade desafiante e cansativa, que lhe irá impor planeamento, uma disponibilidade constante e a necessidade de ajuda e apoio dos outros para concretizar. É uma actividade que não pode ser feita por outras pessoas, pelo que deverá ter ajuda para outras tarefas.
 
Coma e beba de acordo com as suas necessidades, tendo em conta que vai ser necessária quantidade extra de alimentação para produzir leite para os seus filhos.
 
Trigémeos e quadrigémeos

Existem muitos casos de trigémios e até quadrigémeos alimentados ao peito materno, embora seja uma situação que requeira uma mãe muito motivada e muito apoio de profissionais e, sobretudo, dos familiares. Exceptuando a impossibilidade de alimentar todos ao mesmo tempo, os princípios anteriores aplicam-se também nestes casos. Algumas mães preferem um sistema de rotação dos bebés permitindo que todos mamem, enquanto outras alternam com alguns biberões de outro leite.

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Fenda palatina e lábio leporino
A existência de lábio leporino isolado não cria nenhum problema especial quanto à amamentação. Por outro lado, uma fenda palatina poderá levar a maiores dificuldades para o bebé mamar. Já que a forma de mamar ao peito materno depende da compressão do peito entre a língua e o palato do bebé, a ausência total ou parcial do palato poderá acarretar dificuldades. Contudo, a experiência tem vindo a demonstrar que, mesmo com algumas dificuldades, estes bebés conseguem uma maior eficácia ao peito materno do que em biberões.

No entanto, se o bebé se mostrar mais eficaz com biberão do que ao peito, poderá ser-lhe dado o leite materno, previamente extraído, pelo biberão. Alternativamente poderá utilizar colher ou copo ou uma tetina especial como a de Haberman.

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Síndrome de Down
Os bebés portadores de S. Down (mongolismo, trissomia 21) podem ser  “mais moles” e por isso apresentarem dificuldades iniciais com o aleitamento materno. Será necessário mais tempo e paciência até se conseguir uma boa pega e eficácia a mamar. A ajuda dos profissionais é muito importante nesta fase. Poderá ser necessário, até se conseguir uma boa pega, que a mãe extraia o leite, para impedir engorgitamento e supressão de produção. 
 
A colocação do bebé ao peito na posição de dançarino poderá facilitar uma boa pega e por isso o sucesso no aleitamento materno.

Esta técnica requer que a mãe segure simultaneamente a mama e queixo do bebé, por baixo, com a mão em concha (ou U), ajudando a apoiar o maxilar inferior e permitindo que mame melhor.

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