Amamentar

O sítio do Aleitamento Materno para cidadãos e profissionais de saúde

  

Anatomia
As mamas são constituídas por tecido glandular (onde é produzido o leite) rodeado de gordura. As unidades básicas de tecido glandular são os alvéolos, cujas células produzem o leite . Os alvéolos são rodeados por tecido mioepitelial (pequenos músculos) que, ao contraírem-se, ejectam o leite nos canais (ductos) que o transportam até ao mamilo. A pele que cobre a mama modifica-se no centro para formar o mamilo onde os ductos terminam. Em volta do mamilo existe uma parte da pele mais escura (aréola) onde se situam as glândulas de Montgomery (pequenas glândulas sebáceas) que produzem um líquido oleoso que mantém os mamilos suaves e limpos.
Durante a gravidez, as mamas aumentam de tamanho, a aréola fica mais escura, e as glândulas de Montgomery aumentam; a pele parece mais fina e as veias mais visíveis. O sistema de ductos (canais) aumenta e diferencia-se, assim como os alvéolos, lóbulos e lobos.
 
A mama vista por fora

 

A mama vista por dentro

 

Como é  produzido o leite? 
Mamar ao peito é um acto natural e milhões de bebés fazem-no em todo o mundo. Quando um bebé tem fome, mama no peito da mãe, durante o tempo que quer, até ficar satisfeito. Entretanto, vai crescendo e a mãe produz mais leite. Quando começa a comer outros alimentos, as mamas produzem só o leite necessário para completar as suas necessidades. E tudo isto acontece durante meses, anos. Como? Por um controlo complexo hormonal e glandular.
 
As duas 2 hormonas mais importantes são:
  • A prolactina (produzida na glândula pituitária anterior), que estimula a secreção de leite nos alvéolos. Em resposta à estimulação da aréola e do mamilo por parte do bebé. Quando o mamilo é estimulado a prolactina é libertada e inicia-se a produção de leite
  • A ocitocina (produzida na glândula pituitária posterior), que é libertada por surtos durante a amamentação e provoca a descida do leite através dos ductos até ao mamilo (o reflexo da descida). A ocitocina é a responsável pelo desconforto sentido por algumas mulheres durante as primeiras semanas, e que é normal

Sinais e sensações de um reflexo de ocitocina activo: 

  • Sensação de pressão, formigueiro, picada nos seios imediatamente antes ou durante uma mamada
  • Pingar de leite dos seios quando pensa no bebé ou o ouve chorar
  • Gotejar de leite do outro seio, quando o bebé está a mamar
  • Leite a escorrer dos seios se o bebé larga o seio durante a mamada
  • Dores pela contracção do útero, com pequena perda de sangue, eventual, durante as mamadas na primeira semana
  • Sucções profundas e lentas, seguidas de deglutição. Mostrando que o leite está fluindo para a boca do bebé
O sucesso do aleitamento materno depende da remoção de leite da mama. Há um controlo local que inibe a produção de leite para esta não ser exagerada, permitindo um equilíbrio desejável entre a oferta e a procura.
  
A capacidade de produção das mamas é diferente e independente e o ritmo a que o leite é produzido é variável. Quanto mais leite é tirado mais leite é produzido. Normalmente o bebé não "esvazia" completamente a mama. Se o bebé não mama bem a mama não recebe o estímulo adequado e acaba por não produzir o leite suficiente.
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Composição do leite humano
A produção de leite começa quando as hormonas esteróides placentares (a progesterona e os estrogénios) diminuem e a secreção de prolactina aumenta. O colostro é o primeiro leite que é produzido pela mulher após o parto. É espesso e de cor amarela ou transparente e, embora produzido em pequena quantidade, tem os nutrientes necessários para alimentar o bebé desde o nascimento.
 
O colostro tem uma quantidade grande de factores de defesa de infecções como imunoglobulinas, lactoferrina, células brancas (leucocitos), citoquinas e outros e facilita a digestão e a eliminação intestinal.
 
O leite de transição é o leite produzido após os primeiros dias até à segunda semana e tem uma composição intermédia entre o colostro e o leite maduro.
 
O leite maduro é o leite que é produzido pela mulher alguns dias após o parto e quando se inicia a sua produção, em maior quantidade, a chamada ?descida do leite?, as mamas ficam mais cheias, endurecidas e pesadas.
 
O leite humano tem uma grande complexidade, apresenta variações de composição de acordo com as necessidades do bebé, e adapta-se ao seu crescimento, ao seu apetite e à sua sede.
 
As  variações de composição verificam-se mesmo ao longo do dia e até durante a mesma mamada. O leite inicial (anterior) é o produzido no início da mamada e o leite final (posterior) o produzido mais tarde, para o fim da mamada.
 
A gordura do leite é muito importante por várias razões, entre as quais porque proporciona metade das calorias no leite materno. A sua quantidade varia muito: individualmente, durante o dia, durante a mamada, de mama para mama, de acordo com o tempo decorrido desde a última mamada, de acordo com o ?esvaziamento?. A sua quantidade duplica no leite final. Assim, um pequeno volume de leite final proporciona grande quantidade da energia necessária ao bebé. Isto é importante para saciar o apetite e ajuda a explicar a recomendação de deixar mamar apenas num dos seios, pelo tempo que quiser, e só mudar para o outro se desejar.
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O que acontece durante a amamentação?

O sucesso do aleitamento materno vai depender da capacidade do bebé retirar/remover/extrair leite da mama da mãe. Isso vai depender da concretização de uma boa pega ao seio.

O que se passa quando o bebé mama bem?

Para o bebé mamar bem tem que conseguir uma boa pega. Para tal deve agarrar bem a mama (e não apenas o mamilo), abarcando parte da aréola, e ficar com o queixo encostado à mama. Desta forma vai conseguir apanhar o tecido mamário, que contém as glândulas produtoras de leite e os canais lactóforos.

Para além dos primeiros dias de amamentação, não é suposto sentir dores na mama ou no mamilo e o bebé, com ajuda dos movimentos da língua, deve conseguir extrair o leite.
 
O que se passa quando o bebé não mama bem?
 
Se o bebé não consegue fazer uma boa pega, seja qual for a causa, não vai conseguir fazer uma boa extração de leite da mama da mãe. 
 
Quais são as consequências do bebé não conseguir fazer uma boa pega?
  • Mamilos dolorosos, fissuras, gretas nos mamilos
  • Ingurgitamento das mamas (mamas pesadas, duras e dolorosas) porque o bebé não consegue extrair o leite
  • Bebé frustrado, insatisfeito, a chorar, que não aumenta de peso porque não come
  • Menor produção de leite, por não haver estímulo
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Duração e frequência das mamadas

Uma das chaves para o sucesso do aleitamento materno é a inexistência de regras rígidas no que respeita, tanto à duração de cada mamada, quanto ao intervalo entre as mamadas.

Isto significa que, para se verificar um aleitamento materno com sucesso, com uma boa produção de leite e uma boa sucção e ingestão de leite por parte do bebé, é necessário deixá-lo mamar quando quiser, o tempo que quiser, as vezes que quiser.

Não é necessário um horário rígido para o bebé mamar. Ele deve mamar quando manifestar sinais de fome (sendo o choro o último), tanto de dia como de noite. No entanto, nos primeiros tempos é necessário que o bebé mame pelo menos 8 vezes por dia.

O tempo necessário para mamar completamente depende de vários factores e não deve ser uma preocupação. A quantidade de tempo que o bebé mama pode variar com a idade, de um dia para outro, de uma mamada para outra, e deve ser determinada por ele. A interrupção de uma mamada precocemente impede que ele ingira o leite final, mais rico em gordura e em calorias, o que irá ter repercussão na eficácia da amamentação, na satisfação do bebé e na produção de leite.

Nalgumas ocasiões o bebé precisará de ir ao segundo peito, outras não, e a mamada seguinte deve ser sempre iniciada pela mama não usada ou usada em último lugar na mamada anterior.

A quantidade de tempo que o bebé mama não é responsável por lesões no mamilo e na mama. O motivo principal para a dor, a maceração do mamilo ou as gretas é a forma deficiente como o bebé agarra a mama (uma má pega). Ao existir uma má pega, existe uma ingestão insuficiente de leite pelo bebé, o que o faz estar muito tempo na mama a tentar tirar leite.

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